Férias!!!

Muitas vezes férias significa um momento de descanso, passeio, ajudar quem precisa ou ficar sem fazer absolutamente nada.
Mas também é um momento de passagem. Algo é deixado para trás no tempo e um novo momento chega na vida de todos nós. O que é presente se torna lembrança e o futuro bate à nossa porta.
Quero agradecer em especial às crianças do 6º ano que me acolheram com tanto carinho e paciência, que aceitaram a tarefa diária de aprender história observando as pequenas coisas do nosso cotidiano.
Separei um vídeo que fala um pouco de como nos encontramos na escola, mas também fazemos desse lugar um espaço de despedidas.
Não se esqueçam: o tempo pode passar, mas a história nossa e de nossos amigos fica no coração de cada um.

 

Saindo do senso comum: um pouco sobre educação e práxis política

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Como se não bastasse convivermos com um governo em volta da manutenção da economia fragilizada sob a intencionalidade da criação de uma “pátria educadora”, o que encontramos nos últimos dias foram equívocos de diversas vozes na sociedade sobre o fazer pedagógico destes profissionais e o seu valor numa sociedade que almeja alcançar uma significativa trajetória de sucesso numa futura, mas pouco presente, sociedade do conhecimento.
Falas que foram observadas nas redes sociais:
1. Professor está mais para Black block.
2. Professor ganha pouco.
3. Ninguém quer ser professor.
4. É tudo funcionário público, pois em escola particular isso não acontece se fosse com CLT….

Black Block, greves e conhecimento
Desde já um apontamento que todos se esquecem principalmente em nações periféricas ocidentais: a ferramenta de trabalho do professor é o conhecimento. Oras, se o profissional tem o conhecimento de como neutralizar os efeitos do gás lacrimogênio, qual é o problema nisso? Argumentaram que isso indicaria que já havia uma pré-disposição para o combate. Isso pode ser verdade, pois num país em que as manifestações são vistas muitas vezes como inimigas da democracia (porque atrapalham o fluxo do trânsito, porque reclamam no lugar de trabalhar mais, etc) normalmente o ato pacífico termina em violência – e quando a tropa de choque avança, não há mais como seus comandantes conterem a força desproporcional que o braço do Estado exerce sobre seu cidadão. Agora, associar luta sindical com Black block beira o fundamentalismo de direita, querendo invalidar a luta trabalhista, presente desde a Revolução Industrial Inglesa com objetivos claramente definidos – a valorização do operário.

Professor ganha pouco?
Para um país que se diz envolvido com a educação, ganha pouco sim! Não existe uma política de incentivo salarial, de formação em pós-graduação de qualidade, não existe nem o fomento salarial para uma vida regada na cultura e muito menos uma política pública de bolsas de incentivo ao uso dos aparelhos culturais, como bolsa teatro, bolsa livro, bolsa jornal. Entre os profissionais de nível superior, ser professor soa quase como uma piada de humor negro, seja pela formação precária dos cursos vergonhosamente aprovados pelo MEC, seja pela longa jornada que obriga o Educador a abrir mão de sua qualidade como sujeito pensante: não há tempo para o teatro, para o cinema, para a leitura – simplesmente porque é necessário dar aulas para sobreviver. Isso é um caro engano dos nossos políticos e administradores que pensam que é dispensável o fator cultural na prática educativa e cultura custa caro e demanda tempo: o ócio criativo torna-se um inimigo num país capitalista atrasado. Vítima de um Estado que aprova a oferta de cursos de qualidade duvidosa, o professor é mal formado e nem durante seu ofício encontra nem no salário nem na política alguma forma de melhorar seu desempenho como docente e sua vida como operário.

Se fosse pela CLT isso não aconteceria.
Num momento em que se aprovam as terceirizações, essa afirmação soa mais como um problema do que uma qualidade na vida dos trabalhadores. Contrário à qualquer tipo de manifestação popular, o patrão tende a demitir do que a abrir um canal de negociações. Isso é uma visão estreita do capitalismo, pois a máquina funciona de uma forma muito simples: profissional valorizado é consumidor, que injeta no mercado parte dos seus ganhos, gerando mais economia e renda para os demais participantes. Sugerir que a terceirização e a aplicação da CLT em toda a rede educacional acabaria com o problema é um engodo da direita, pois as paralisações existem muito antes de qualquer lei trabalhista existir. A mobilização sindical tem como raiz a relação entre o operário e o seu patrão e esse jogo de forças desemboca muitas vezes (numa triste história) no uso da violência para obrigar todos a voltarem aos seus postos de trabalho. Defensores da CLT apenas estão preocupados com um trabalhador que não é sujeito do seu ofício, despolitizado e inserido numa rotina em que executar é mais importante do que pensar. Mas na educação isso não procede. Mesmo com deficiências materiais e de formação isso é claro entre os docentes: seu ofício necessita ser valorizado na sociedade, se esta quiser sair do status quo de “repúblicas de bananas”, exportador de jogadores de futebol e outras míseras riquezas de pouco impacto no mundo globalizado.

 

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O que queremos deixar claro neste texto é o que nossos parceiros comerciais desenvolvidos compreenderam em sua maioria: tecnologia se faz com uma sólida rede de saberes que passam pelo prédio, pelo equipamento, mas principalmente pelas relações humanas (e por isso culturais) entre os sujeitos do processo: educador e educando. Valorizar a escola, o salário e a formação docente é inserir de fato o Brasil no desenvolvimento tecnológico, econômico e social. O resto que se diga é politicalha e discurso para enganar os menos esclarecidos e esconder nossa incompetência histórica para lidar com o tema de forma satisfatória.

Dia da família na escola: um dia para lembranças….

No último sábado (5/04) a escola foi palco de uma exposição sobre os olhares da escola e do bairro. Os professores de história juntamente com alguns colegas dos quartos anos elaboraram nossa primeira exposição fotográfica sobre o bairro e a escola.
Os alunos trouxeram fotos atuais e antigas do bairro, bem como entrevistas gravadas com moradores antigos, alguns dos quais são até mesmo pais dos nossos alunos. O objetivo da atividade foi de fomentar a construção da nossa identidade, pois a comunidade é muito participativa nas questões sociais e a própria escola é fruto dessa luta, pois foi construída pelos próprios moradores em 1994 com muito empenho, buscando um lugar no bairro em que seus filhos pudessem estudar para batalhar por um futuro melhor.

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A ênfase na fotografia está na arte do olhar que esta ferramenta possibilita. Um foto pode ser pensada de inúmeras formas, desde um protesto até um fragmento de olhar numa perspectiva artística. Uma foto vale mais que mil palavras? Não, para nós uma foto possibilita mais de mil interpretações. Tudo vai depender do discurso ou da intencionalidade com que o momento foi capturado ou mesmo a produção em torno do que foi fotografado.

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Além das fotos no evento, aproveitamos para montar atividades que reforçassem a necessidade do uso da legenda no trabalho com o texto não verbal (imagem).

 

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Para finalizar esse reencontro com o passado, nos próximos dias será lido para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) este lindo poema que trata da memória e seus elementos:

 

Memória – Cecília Meireles.

“Minha família anda longe
Com trajos de circunstancias:
uns converteram-se em flores,
outros em pedra, água, líquen,
alguns, de tanta distância,
nem têm vestígios que indiquem
uma certa orientação.
.
Minha família anda longe,
– Na Terra, na Lua, em Marte
-uns dançando pelos ares,
outros perdidos no chão.
.
Tão longe, a minha família!
Tão dividida em pedaços!
Um pedaço em cada parte…
Pelas esquinas do tempo,
brincam meus irmãos antigos:
uns anjos, outros palhaços…
Seus vultos de labareda
rompem-se como retratos
feitos em papel de seda.
Vejo lábios, vejo braços,
– por um momento, persigo-os;
de repente os mais exatos,
perdem a sua exatidão.
Se falo, nada responde.
Depois, tudo vira vento,
e nem o meu pensamento
pode compreender por onde
passaram nem onde estão.
.
Minha família anda longe.
Mas eu sei reconhecê-la:
um cílio dentro do Oceano…
uma ruga num caminho
caída como pulseira,
um joelho em cima da espuma,
um movimento sozinho
aparecido na poeira…
Mas tudo vai sem nenhuma
noção de destino humano,
de humana recordação.
.
Minha família anda longe.
reflete-se em minha vida,
mas não acontece nada:
por mais que eu esteja lembrada,
ela se faz de esquecida:
não há comunicação!
Uns são nuvem, outros lesma…
Vejo as asas, sinto os passos
de meus anjos e palhaços,
numa ambígua trajetória
de que sou o espelho e a história.
Murmuro para mim mesma:
“É tudo imaginação!”
.
Mas sei que tudo é memória…”

 

Aproveitamos para agradecer à associação de moradores (ACHAVE) pelo empréstimo de fotos e banners sobre o bairro, à todos os professores pelos apoios e incentivos e pela Equipe Gestora por acreditar na ideia e ceder o espaço para a atividade.