Mulher maravilha, o cinema e a história

 

O filme Mulher Maravilha (2017) é um claro registro da nossa contemporaneidade, onde buscamos seres ou entidades sobrenaturais dispostas a resolverem as desavenças humanas que beiram a nossa existência à extinção.
Paralelamente, a personagem principal é também o registro de uma mulher que luta pelo respeito às suas escolhas, ainda que isso possa distancia-la da sua família ou causar algum tipo de mágoa entre os seus pares.
A narrativa se passa durante o conflito da Grande Guerra (1914-1918), o que por si lança sobre o público um debate interessante sobre a questão do gênero: inúmeras mulheres deixadas à margem de debates políticos e decisões fundamentais para o mundo e, paralelamente, fica a realidade entregue aos gostos do sexo masculino (cujos prazeres e ideologias empurram a humanidade para todo tipo de sofrimento).


O transito da heroína pelas trincheiras vivenciando o sofrimento de mulheres, homens e crianças sofrendo de fome, frio e doenças é um momento crucial: ela pode fazer a diferença e combater esse sofrimento e, como uma mãe censurando seus filhos, ela derruba um a um, denunciando como o ser humano é infantil nos seus conflitos, onde semelhantes se matam por um governo, uma pessoa ou “um deus”.
O filme nos ajuda a levantar alguns debates necessários:
Quais são os nossos objetivos na luta diária pela sobrevivência?
Será que não desejamos mesmo a auto destruição com nossa fome por morte, vingança e submissão do outro?
Que espaço decisório deixamos para as mulheres no mundo? No nosso cotidiano damos o devido respeito às mulheres, seus anseios e sonhos?

Por fim, fica a dica do filme para levantar o debate de gênero e como por meio de uma fotografia a história pode surgir na nossa memória de forma viva e surpreendente.

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