A infância ensina o mundo adulto: diálogo e um bom abraço resolve muita coisa!

Compartilhar saberes não é só compartilhar críticas, por vezes tão profundamente enraizadas em nossa essência que beira um pessimismo (quase) gratuito, mas também levar à tona situações de incrível impacto em nossas vivências.

Há algumas semanas presenciei algo que foi, para quem está no mundo adulto, como um enorme puxão de orelha. Afinal, se tem uma coisa que nós fazemos muito bem na idade adulta é tornar coisas simples complicadas, ficar devaneando sobre nossas escolhas ou mesmo não dar um passo à frente com receio do que o outro vai pensar.

abraço

Na verdade, ao dizer que se preocupa com o que os outros pensam, estamos fadados à esconder nossas fraquezas, nossas vergonhas particulares e, como resultado, encontramos a melhor saída para os problemas: afastamos as pessoas de nós mesmos, como se a distância também não causasse feridas.

No meu trabalho duas crianças se desentenderam ainda na fila à caminho para a sala de aula, resultando no encaminhamento delas para a diretoria em virtude de agressão física. Além disso, os olhares flamejantes de ódio de um contra o outro denunciava para qualquer adulto (até mesmo eu, que trabalho com crianças), que era o típico caso em que uma amizade havia sido desfeita definitivamente com aquele episódio.

Para minha surpresa, estava eu nas minhas tarefas docentes enquanto os alunos desenvolviam a sua leitura, e ocorre que surge um aluno no meio da sala me chamando a atenção para um fato: os dois estavam pedindo desculpas um para o outro e se abraçando.

Fiquei com aquela cena na cabeça…. que dificuldade os adultos têm de se aproximar, de olhar no olho, de ser franco , de ouvir e ser ouvido (e quanta dificuldade temos em ouvir mais e falar menos).

Fico muito feliz em trabalhar com os mais jovens. Há muito que aprender com quem viveu pouco e, por isso mesmo, não carrega certos vícios que tornam a vida mais árdua, mais amarga e sem graça. É preciso ouvir e praticar mais essa essência de uma vida simples, alegre e descomplicada que a infância a todo instante nos apresenta, convidando o adulto ser menos mesquinho, menos duro consigo mesmo e com os outros, menos chato com o mundo e com os outros. A infância nos convida a mudar.

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