Dia da família na escola: um dia para lembranças….

No último sábado (5/04) a escola foi palco de uma exposição sobre os olhares da escola e do bairro. Os professores de história juntamente com alguns colegas dos quartos anos elaboraram nossa primeira exposição fotográfica sobre o bairro e a escola.
Os alunos trouxeram fotos atuais e antigas do bairro, bem como entrevistas gravadas com moradores antigos, alguns dos quais são até mesmo pais dos nossos alunos. O objetivo da atividade foi de fomentar a construção da nossa identidade, pois a comunidade é muito participativa nas questões sociais e a própria escola é fruto dessa luta, pois foi construída pelos próprios moradores em 1994 com muito empenho, buscando um lugar no bairro em que seus filhos pudessem estudar para batalhar por um futuro melhor.

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A ênfase na fotografia está na arte do olhar que esta ferramenta possibilita. Um foto pode ser pensada de inúmeras formas, desde um protesto até um fragmento de olhar numa perspectiva artística. Uma foto vale mais que mil palavras? Não, para nós uma foto possibilita mais de mil interpretações. Tudo vai depender do discurso ou da intencionalidade com que o momento foi capturado ou mesmo a produção em torno do que foi fotografado.

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Além das fotos no evento, aproveitamos para montar atividades que reforçassem a necessidade do uso da legenda no trabalho com o texto não verbal (imagem).

 

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Para finalizar esse reencontro com o passado, nos próximos dias será lido para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) este lindo poema que trata da memória e seus elementos:

 

Memória – Cecília Meireles.

“Minha família anda longe
Com trajos de circunstancias:
uns converteram-se em flores,
outros em pedra, água, líquen,
alguns, de tanta distância,
nem têm vestígios que indiquem
uma certa orientação.
.
Minha família anda longe,
– Na Terra, na Lua, em Marte
-uns dançando pelos ares,
outros perdidos no chão.
.
Tão longe, a minha família!
Tão dividida em pedaços!
Um pedaço em cada parte…
Pelas esquinas do tempo,
brincam meus irmãos antigos:
uns anjos, outros palhaços…
Seus vultos de labareda
rompem-se como retratos
feitos em papel de seda.
Vejo lábios, vejo braços,
– por um momento, persigo-os;
de repente os mais exatos,
perdem a sua exatidão.
Se falo, nada responde.
Depois, tudo vira vento,
e nem o meu pensamento
pode compreender por onde
passaram nem onde estão.
.
Minha família anda longe.
Mas eu sei reconhecê-la:
um cílio dentro do Oceano…
uma ruga num caminho
caída como pulseira,
um joelho em cima da espuma,
um movimento sozinho
aparecido na poeira…
Mas tudo vai sem nenhuma
noção de destino humano,
de humana recordação.
.
Minha família anda longe.
reflete-se em minha vida,
mas não acontece nada:
por mais que eu esteja lembrada,
ela se faz de esquecida:
não há comunicação!
Uns são nuvem, outros lesma…
Vejo as asas, sinto os passos
de meus anjos e palhaços,
numa ambígua trajetória
de que sou o espelho e a história.
Murmuro para mim mesma:
“É tudo imaginação!”
.
Mas sei que tudo é memória…”

 

Aproveitamos para agradecer à associação de moradores (ACHAVE) pelo empréstimo de fotos e banners sobre o bairro, à todos os professores pelos apoios e incentivos e pela Equipe Gestora por acreditar na ideia e ceder o espaço para a atividade.

 

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