A história se repete?

Ao tentar compreender o momento de mobilizações políticas vivenciadas pela sociedade brasileira, é comum as pessoas, e em especial o aluno de história, se perguntar sobre a história e a repetição do passado.

Um exemplo simples é a questão do Governo Goulart e o Golpe Militar de 1964. João Goulart foi um presidente que sofreu com inúmeras insatisfações principalmente de setores populares da sociedade brasileira. No entanto, o apoio dado aos militares brasileiros pelo governo dos Estados Unidos e pela parcela da sociedade conservadora no Brasil favoreceu o que chamamos de Golpe Militar em 1964 (ditadura que durou 20 anos).

No entanto, parece que a sombra dos “anos de chumbo” ainda assusta a muitos, quando encontramos textos nas redes sociais apoiando um regime anti-democrático ou simplemente temendo a entrada nos militares novamente no cenário político contemporâneo.

Vamos deixar claro: a história não se repete.

O momento em que vivemos é único, com novas tecnologias, momento econômico, social e cultura extremamente diferenciado de 1964. As urgências no mundo são outras e, claro, no Brasil não seria diferente.

Não existe condição para apoio americano a nenhuma ditadura na América Latina no momento, até porque os Estados Unidos encontram-se ainda numa crise econômica e de nada interessa aos investidores internacionais apostarem seus dólares numa economia alicerçada numa ditadura, pois o controle dos meios de comunicação num governo deste tipo dificultaria os organismos internacionais de avaliarem o risco econômico do país com clareza.

Ao meu ver, o controle da insatisfação brasileira, tão fácil em 1964 por meio da censura da televisão, rádio, jornais e revistas, é algo difícil de imaginar ocorrendo num espaço hibrido e fora do controle do governo como é a internet.

Antes da rede mundial de computadores (internet), o cidadão tinha uma perfil mais passivo no meio informacional: assistia a tudo e pouco interagia com a informação. Mas com o crescimento do acesso à internet, a participação, interação e organização dos usuários em grupos que definem gostos, tendências, modas e atitudes possibilita ao cidadão um novo modo de ver, compartilhar e participar do mundo à sua volta: sem partidos, sem líderes e com causas diversas de descontentamento.

Desta forma, pensando nas novas tecnologias e nos desejos e preocupações do brasileiro desta década, fica claro que a história não se repete. Vivemos noutro momento e, dada a situação mundial da economia e política, não há espaço para repetições do passado, isso é impossível.

E se alguém perguntar: Ah, mas e se uma ditadura acontecer neste momento histórico?

A resposta é simples: do mesmo modo que os manifestantes vivem um novo tempo na forma como protestar e se organizar por meio das mídias e redes sociais, os governos (autoritários ou democráticos) deverão encontrar formas (também novas) para lidar com esse novo modo de expressão popular.

A exemplo desse novo tempo, podemos citar o compartilhamento de informação e o espaço de resposta em que redes sociais e espaços como youtube vem se tornando. Percebemos com muita clareza que trata-se de uma época em que não apenas a população assiste inerce às informações veiculadas pela imprensa, mas dialoga, debate e responde usando espaços democráticos na internet para fazer valer a sua opinião.

Fala de Arnaldo Jabor na TV Glogo

Resposta de internauta

Curiosidade: Você sabe a origem da máscara utilizada? Caso não saiba ainda, vale a pena assistir ao filme “V de Vingança”!!!!!

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2 Comentários

  1. Passam-se os tempos, passam-se os homens, mas a história se repete para tentar encaixar ou revolucionar as ideias no sistema. By the way, o blog tá muito bom, espero você no meu blog e seu recadinho.

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    • Oi. Obrigado pela visita e pela participação. Na verdade, o tempo muda com os homens, pois são outras urgências ou formas de lidar com essas urgências. Veja a questão da “Primavera Árabe”: manifestações sempre ocorreram por diversos motivos ao longo da história, mas os movimentos de ideias e articulações diversas da internet (fora do controle dos governos) gerou novos modelos para se pensar as manifestações populares. Portanto, se olharmos com mais atenção, os desejos são parecidos, mas o tempo muda a sociedade e a forma como esta solicita e reinvindica mudanças.

      Responder

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